Para onde caminham as greves do serviço público de Rondônia, especialmente a da educação

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Prof.Peixoto*1

 

 

 

            Um dia após muito professores terem entrado em greve, uma mãe faltou o trabalho e foi à escola em que seus filhos estudam saber por que eles voltaram para casa na manhã da quarta feira do dia 15. Chegando lá topou com a secretaria funcionando normalmente, viu as merendeiras na cozinha e o diretor olhando fixamente para o monitor de tevê na sala dele registrando quem estava vindo ou não trabalhar e se havia movimento numa boca de fumo em frente da escola. Mal ela entrou na sala dele perguntou num tom debochado:

 

—“Ora bolas, senhor diretor, greve de novo? Todo ano é a mesma coisa!” Eu trabalho na Hidroelétrica de Santo Antônio o dia inteiro. Vou de busão, sou mãe solteira, minhas três crianças ficam sozinhas em casa até eu voltar. Deixo a mais velha cuidando dos mais novos e uma vizinha de olho. Mas mesmo assim, né seu diretor, trabalho muito preocupada com eles. Quando não tem greve, elas ficam apenas as tardes sozinhas, brincando. “Quando é que as aulas voltarão mesmo em? Afinal, a merenda que dão na tal ‘educação de tempo esticado’ faz falta né?”.

 

Diretor: — “Sei não”! Mas, de forma meio cínica, ainda diz: — “A senhora, se quiser, pode deixá-las no Programa Mais Educação no contra turno, à tarde. Este ainda não parou!”.

 

Mãe: — “Por quê?”.

 

Diretor: — “Nesse programa só trabalham estagiários e é um atendimento terceirizado pelo Governo do Estado, pago com recurso federal. Eles recebem R$ 300,00 por mês para virem duas a três vezes por semana guardar, distrair e ocupar os alunos com aulas de reforço. E são vários fazendo esse bico aqui na escola! E ainda a merenda é garantida!”.

 

Mãe: — “Ora, se com greve ou não o salário nunca é o suficiente e o ensino é sempre uma merda: para que eu mandar meus filhos para essa tal ‘mais educação’? É melhor que fique em casa, é melhor!”.

 

Diretor: — “Para encher o bucho com a merenda senhora!”

 

Mãe: — “Ah tá… Diretor, quando as aulas vão terminar? Pois penso em viajar para o interior no final de dezembro!”.

 

Diretor: — “Os professores também. Alguns para o exterior e outros para seu Estado natal. Há dirigentes sindicais que vão assistir aos jogos da copa do Mundo. Então fique tranqüila, esta greve é broxa, logo amolece! O Governo só pega dinheiro emprestado do BNDS para os amigos que são CDS e para fazer obras no interior para garantir sua reeleição no ano que vem e sabe que com aumento ou sem aumento salarial, os professores grevistas continuarão a ser como sempre foram: conservadores, tradicionais! Os dirigentes sindicais só estão cumprindo tabela e tirando o seu da reta e ainda dando uma força para certo vereador conseguir se eleger deputado estadual!”.

 

 

 

            Ouvindo isso, a mãe saiu da escola pelo portão do estacionamento dos professores, onde só havia o automóvel dos diretores. O pátio estava quase vazio, Muitos professores haviam ido para a greve de carro próprio, é claro! Lá, estacionam perto dos carros dos sindicalistas, pois sindicalista que é sindicalista de verdade, não usa veículo próprio, mas do sindicato! Na Praça das Três Caixas D’Água no centro da cidade se amontoaram com os colegas grevistas. A mãe, por sua vez, vai embora arretada, falando consigo mesma: “— Oxe! Todos os anos é essa mesma porcaria, todos os anos os professores fazem greve! E a droga desse governo ainda vive mentindo dizendo que a educação está de cara nova e é de tempo integral. Mas, as escolas só estão de pintura nova. Por dentro, elas continuam sendo tão ruim como sempre foram, apenas de tempo esticado! A única vantagem é a merenda. Que nenhum pobre dispensa!”.

 

Esse diálogo introdutório é uma pequena representação de uma conseqüência da banalização dos caminhos trilhados pelo Ensino Público administrado pelo atual governo e do sindicalismo que se faz atualmente em Rondônia não importando o sindicato envolvido. Além da greve que os dirigentes do SINTERO estão conduzindo, há outras categorias do funcionalismo público em greve também no Estado. Todas desencadeadas por motivos justos e escusos ao mesmo tempo, feita de forma quase sempre igual e amadora por dirigentes e dirigidos. Greves também provocadas pela falta de habilidade e de honestidade do Governo Estadual. Greves cujo, provável desfecho, ninguém tem certeza absoluta, apenas palpites. Se conseguirmos entender um pouco os caminhos trilhados pelo Governo do Estado e pelas greves que estão ocorrendo no serviço público, talvez, possamos imaginar como tudo isso vai acabar. Para começar, qual tem sido o caminho trilhado pelo governo?

 

 

 

“Os operários não devem superestimar o resultado final dessa luta cotidiana. Não podem esquecer que lutam contra os efeitos e não contra as causas desses efeitos…”. Giovanni Alves, Limites do sindicalismo – Marx, Engels e a crítica da economia política.

 

            Os sindicalistas nem se deram conta, mas durante a sua campanha eleitoral, o candidato Confúcio Moura defendeu qual seria o modelo de administração pública que ele adotaria quando chegasse ao poder. Um modelo que: “valoriza-se a profissionalização do Estado, cria-se programas de reconhecimento do mérito, substituindo ao máximo os cargos comissionados por profissionais concursados e, sobretudo, promove-se a despolitização de setores como educação, saúde, meio ambiente e segurança pública”. Confúcio foi eleito e aos trancos e barrancos, vem trilhando por esse caminho. Enganam-se quem pensa que o modelo de gestão proposto é original. Nada disso! Já é adotado em outros Estados. Historicamente, Rondônia sempre importou mão de obra. Mas com Confúcio, passaria a importar modelos de gestão pública também. Ele desperdiçou metade do seu mandato juntando pedaços de modelos aqui, ali e acolá, fazendo da sua gestão um Frankenstein, cujas conseqüências já começamos a sentir com as greves que vem ocorrendo no serviço público.

 

Na educação não tem sido diferente, este governo foi buscar fora modelos “eficazes” para geri-la. Enquanto isso o SINTERO bebia na mesma taça dele comemorando duas panacéias: a aprovação da Lei que permite a eleição direta para os diretores das Escolas Públicas e a aprovação do Plano de Carreira, Cargos e Salário. O que o SINTERO sabia, mas não explicou aos seus filiados eram os efeitos colaterais dessas “medidas”: a exigência de mais produtividade sem aumento de salário e a absorção acrítica de todos os projetos do MEC que visam esticar o tempo de permanência dos alunos na escola como, o projeto “escola de tempo integral” e o “mais educação”. Cabendo apenas ao Governador dar um nome próprio: “projeto Guaporé de Ensino Integral” para parecer que são obras de sua mão e dar um jeito de realizar todos eles rapidamente.

 

Diante dessa situação, as greves do serviço público caminham para um conformismo de sempre. Suas lideranças não estão interessadas em mudar à forma de gestão do Governo, mas, com seu futuro político. Por isso lutam apenas para conquistar maiores salário para seus prováveis eleitores: os servidores públicos! O restante das reivindicações é puro ornamento de pauta! É ficção! Fatos que banalizam as greves especialmente as da educação e atrai para si muita antipatia social. As alcatéias de sindicalistas sabem disso, por isso, são oportunistas ao fingirem preocupação com outros problemas vividos dia-a-dia pelo restante da população como, por exemplo, as obras inacabadas da Prefeitura. Se tivessem prestado mais atenção no discurso do candidato Confúcio antes dele virar governador, saberiam que a luta realmente eficaz seria aquela focada em combater seu modelo de administração pública. O salário justo seria mera conseqüência. Agora é tarde! A única luz no fim do túnel é da Isabel Luz. As greves terão sucesso, porém, apenas para os chacais do sindicalismo cutista.

 

 

 

*1 Historiador formado pela UFRO/UNIR em 1997 e professor de História, Sociologia e Filosofia da Rede Pública de ensino desde 1990. Atualmente é readaptado, vítima de assédio Moral e um dos autores do Blog do Desprof.Peixoto, cujo link é: http://moisespeixoto.blogspot.com

 

 

 

 

 

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A INUTILIDADE DA GREVE NACIONAL E ESTADUAL DA EDUCAÇÃO PÚBLICA EM RONDÔNIA

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1. Não é de hoje que a Greve como instrumento de luta dos trabalhadores é ineficaz e infrutífera do ponto de vista de quem até agora ainda se devota às ações propostas por essa longeva, antediluviana direção do SINTERO, melhor dizendo: ao Bando “sintero somos sempre nós e de mais ninguém” que faz da greve não uma arma, mas uma banalidade ritual sindical. Faz greve para cumprir tabela, porque ela foi sacralizada no Calendário Anual que eles mesmos vêm construindo desde que se apossaram dela a mais de 20 anos atrás. Anualmente, é costume a entrega da “Pauta de Reivindicações” ao governo de plantão. Isso também faz parte do seu “show”. O Calendário contendo essas e outras ações são decididas, de fato, nos porões do sindicato entre os membros do que eles chamam de sistema diretivo que, nada mais é do que a reunião do baixo e alto clero do bando, uma espécie de vaticano sindical petista ou reunião dos filas da CUT!” geralmente na sede social da entidade, às vezes, regado à cerveja, a uma boa comida ao som carnavalesco brega do velho cardeal Haroldo Felix e de muita piada acerca dos adversários que tentam em vão tirá-los do poder.

2- Mas, “o calendário” contendo a “Pauta de Reivindicações”, a “Greve Nacional, Estadual da Educação”; o “Carnaval fora de época”; “Shows Profanos e Gospel” e outros eventos de massa feitos de supetão pelos filas da CUT!” de todo o Estado não é homologado pela a ASSEMBLÉIA? É claro que sim, mas isso é previsível. Do jeito como esses aristocratas sindicais sempre fizeram, o “sucesso” para eles é garantido. Nenhumas desses tipinhos de Assembleias Gerais reprovaram o que essa turma lhe propôs. Porque eles sempre se empenharam em realizar esses eventos de um jeito que estivessem sempre presentes uma ampla maioria garantida de SINTERISTAS JURAMENTADOS misturado com uma minoria inexpressiva de ingênuos e de críticos de plantão. Isto é: uma maioria de sindicalizados crentes cegos, desinformados, indiferentes, idiotas e safados que fazem parte da claque deles. Um pessoal já manjado que se aproveita desses eventos para tirarem uma folguinha do trabalho, fazerem compras no shopping da cidade, pegarem uns coleguinhas no quarto de motel ou tomarem banho de piscina e fazerem churrascadas na sede social da entidade. Esta é “a maioria”: “o rebanho” que sempre estarão e farão o que seus pastores sindicais lhes mandarem. A vitória deles é sempre certa e isso é tão bom, mas tão bom, que os ajudam a se perpetuarem no poder e nada de substancial muda efetivamente na vida da maioria absoluta da categoria. Esta maioria, infelizmente, sempre foi induzida e incentivada, por esses e outros atos, a não terem motivação alguma de participarem de forma decisiva. Tornam-se indiferentes e, por tabela, agem por inércia colaborando para que tudo continue como sempre esteve.

3- “Faz parte do meu show, faz parte do meu show, meu amor”… E assim será mais essa “greve” que os dirigentes agora conclamam todos a participarem no dia 23, 24 e 25 de abril desse ano. Greve que do ponto de vista político é inócua e inepta. Pois, temas do jargão sindical tais como: o “Piso Salarial”; “Carreira”; “Jornada”; “Profissionalização dos funcionários da Educação”; “Reposição Salarial” [o termo “aumento salarial” caiu em desuso faz tempo!]; a sofrível e incompleta “Licença Prêmio em Pecúnia” e os quiméricos “Precatórios” têm sido cansativamente recorrentes e de resultados, demorados e pífios: tendo apenas uma minoria absoluta, entre elas a direção deste sindicato recebido rapidamente. Não obstante o grande problema não os temas em si mesmo, mas a forma manipuladora com que tem sido tratado pelos sucessivos dirigentes que este sindicato teve. Todos do mesmo grupo político de simpatizantes do PT e filiado a CUT, também de hegemonia petista. Ora, o que a história recente do País e de Porto Velho tem a nos ensinar a respeito do tipo de presença de gente dessa laia nos cargos Público? O que a presença de ex-integrante do Governo petista de Roberto Sobrinho, acusado de corrupção, o vereador José Wildes, por exemplo, faz nas Assembleias do SINTERO? E o marido da Claudir Matta dentro do Governo Confúcio Moura, nem se fala! Qual é o jeitinho petista mesmo dessa gente fazer política sindical em?

4- Pois é: o jeitinho é o de sempre. Esse pessoal, desde quando Roberto Sobrinho fundou o SINTERO com Davi Nogueira, Fátima Cleide, Liete e o Manuelzinho perneta até o “Manoelzinho do SINTERO”, atual presidente não mudaram substancialmente de tática não! Sua visão do papel do sindicato hoje na sociedade não mudou não. Continuam costurando tecido novo em pano velho; mudam apenas de pele como as cobras venenosas. Pior, jogam fora algumas práticas do início de sua história que poderiam ter sido aperfeiçoadas ao longo do tempo. Tornaram o sindicato numa entidade obesa. Só tem tamanho e vaidade, mas, na prática, só ajuda as pessoas que se revezam dentro da sua direção. Mandaram às bases se foderem, basta à maioria da minoria sinterista para lhes dar toda proteção. Para que essas bases se têm o “SISTEMA DIRETIVO”? As ações, pretensões, as táticas, todos os eventos que compõem o calendário de ações sindical deixaram de ser decididas onde a base verdadeira trabalha: nas escolas para só depois serem aprovadas em Assembleia Geral; essa patota prefere o inverso: eles decidem e o resto obedece!

5- Por fim, como parte desse show, como parte desse show, meu amor… Esse bando consegue fazer a proeza de convencer muitos, inúmeros babacas da categoria a acreditarem que as SESSÕES DE DESCARREGO durante as Assembleias; as CANÇÕES CARNAVALESCAS do Haroldo; as famosas PROCISSÕES E ROMARIAS pelas ruas da cidade conduzidas pelo Nereu Klozisnki; as LADAINHAS do Dr. Hélio e as REZAS, ORAÇÕES E MANDINGAS conduzidas pelo o Manoelzinho ao redor do Palácio Getúlio Vargas, da ALE e do CPA e os fervorosos EXORCISMOS da oposição durante o evento tem o poder [psíquico talvez!] de fazer acontecer o que dizem que querem que aconteçam no cartaz que faz publicidade desse evento, distribuídos pelas escolas do Estado. Mas, coitados desses trouxas: de nada vai valer para os seu séquito de SINTERISTAS JURAMENTADOS e demais sindicalizados que participarem dessa tal “Greve Nacional-Estadual da Educação” se esta direção não for apeada do poder pelo voto e uma nova liderança de fato desenvolva uma política diferente e melhor do que essa que existe no momento. Que faça política, não da omissão e dos conchavos; não nas ruas como se fosse um show religioso e patético, mas da presença inteligente, astuta e eficaz onde, de fato, as decisões são tomadas: nos bastidores da Assembleia Legislativa, SEDUC e no Palácio Getúlio Vargas!

6- O foda, é que, a Categoria que diz educar e que sabe ler, não ler e nem gosta dos que leem. A minoria supracitada irá infelizmente seguir a procissão; como rebanho serão conduzidos e comidos num cozido por esses sindicalistas de profissão e palavras como estas serão levadas pelo vento do deserto e no final do ano o dirigente sindical João Duarte, por exemplo, irá assistir a Copa do Mundo no Recife com óculos escuros, sombrinha de frevo e uma latinha de cerveja na mão, enquanto as Antas daqui amargam sua solidão. Tomara que eu esteja errado, mas, não mudo minha opinião.

Referência:

1*PERNAMBUCANO DO RECIFE; HISTORIADOR, PROFESSOR, GRADUADO EM 1997 EM HISTÓRIA PELA UNIR [UFRO], MAS LENCIONADO HISTÓRIA, SOCIOLOGIA, FILOSOFIA NA REDE PÚBLICA DE ENSINO DE RONDÔNIA DESDE 1990. UM DOS AUTORES DO BLOG DO DESPROF. PEIXOTO, CUJO LINK É: http:/moisespeixoto.blogspot.com E COLUNISNA DO NEWSRONDONIA, cujo link é: http://www.newsrondonia.com.br/

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SINTERO E A REFORMULAÇÃO DA LEI 420: UM SILÊNCIO NADA INOCÊNTE

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“Uma visita ao SINTERO mostra que a fé neles não é garantia de nada”

Nietzsche [parafraseado]

 

1- Depois de uma bricolagem de greve, um ensaio de brabeza mal resolvida contra os supostos malfeitos educacionais do atual gorvenante que passa por esse fim de mundo chamado Rondônia protagonizado pelos dirigentes sindicais do SINTERO no começo do ano letivo de 2012; depois das procissões por eles puxadas e da grandiosa corrente de oração reivindicatória a Deus feita ao redor do Palácio do Governo pelo o atual Pontifex maximus da patota do “SINTERO somos sempre nós” e dos fieis seguidores sinteristas, “Manoelzinho”; depois de tanta apreensão e aperreio dos envolvidos: qual o resultado disso tudo hoje? O que ganhamos de fato? O que mudou em nossas vidas profissionais e pessoais? Tudo indica que apesar dele ter feito a oração a céu aberto com tamanho fervor carismático, parece que a prece dele não passou do “teto”! Brochou! O supositório de Viagra dessa oração foi comprado no Paraguai. As balas que dispararam contra o Governo eram de festim. Putz! Sabemos que o governante, diferentemente do antecessor, aumentou um pouquinho mais a gratificação, mas igualmente aos seus antecessores, não aumentou o salário. Nisso, só quem se deu bem foram os que estão dentro da escola e da sala de aula. Uma parcela significativa não teve a mesma sorte, a mesma graça: recebem seus vencimentos sem a gratificação dada aos outros, como se não trabalhassem. A única exceção são os que por razões “misteriosas” recebem uma gratificação muito especial denominada: Cargo de Direção Superior. São os famosos “CDS”: o privilegio dos privilégios de uma minúscula minoria!

2- Uma das reivindicações mais enfatizadas, faladas e mais, incomodamente, repetidas foi pela pressa, pela urgência urgentíssima implantação imediata do “novo” Plano de Cargos e de Salários dos “Orêia secas” da Educação. Uma pressa suspeita, diga-se de passagem! Mas, é sabido que os fiéis sinteristas juramentados presentes na assembléia, não se deram conta do perigo de tal exigência. Não se tocaram do quanto tal coisa requer tempo para que seja devidamente bem feita. Não se aperceberam do quanto é importantíssimo o seu envolvimento no debate desse plano, do quanto precisam estar previamente inteirados do que está em jogo para poder decidir como agir preventivamente e não cair nas arapucas ou pegadinhas dos que não estão interessados no real bem estar dos trabalhadores em educação e que fazem parte dessa comissão que está mexendo nesse plano. Pior: deixaram-se convencer pelo vigário sindical e seus cardeais a aceitarem sua procrastinação até o final do mês de julho próximo deixando tudo isso acima dito sob a sua única responsabilidade. Os sindicalizados presentes nas assembléias abriram mão do seu protagonismo. Aceitaram fazer o papel de “lesos”, de “orêia secas da educação: ovelhas!” Deixaram que a patota do “SINTERO somos sempre nós” fossem os únicos a participarem do que se discuti na comissão de reformulação da Lei 420. O cardeal albino Klosinski e a sua aliada oxigenada Matta são as duas únicas beldades designadas para representar o SINTERO junto à equipe do atual governo incumbida da revisão dessa lei ou até, a produção de uma nova tratando do mesmo assunto. O maior problema nessa história toda é a falta de uma maior representatividade e de uma absoluta transparência dos que estão lá dentro. O silêncio nada inocente dessa dupla sertaneja e do papa Manoel só levanta suspeitas e nos mostram o quanto o novo pontificado sindical continua sendo tão igual como os anteriores.

3- Os maiores interessados não estão sendo bem informado e nem sequer mal informados pela assessoria de “imprensa” do sindicato. O advogado, muito bem pago pela seita “SINTERO somos sempre nós” para trabalhar como porta voz do grupo não vem fazendo o seu trabalho a contento: informando satisfatoriamente a categoria do andamento das ações dessa comissão e dos dois representantes sindicais participantes. A categoria não sabe o que eles vêm fazendo e como vem fazendo para defender os seus interesses e que interesses de fato estão em jogo nessa tal comissão. Desde quando a greve acabou não se sabe nada a respeito, a não ser fofocas. Os que sustentam essa patota e todo o aparelho sindical são deixados a mercê deles por falta de informações. Chegamos a um ponto que para “sabermos” alguma coisa temos que ler nos sites locais ditos jornalísticos da internet, alguns inclusive, pagos pelo sindicato. Uma situação absurda, pois a categoria acaba pagando duas vezes pelo mesmo serviço. Paga caro ao burguesinho para escrever suas notas e pagam para certos jornais eletrônicos reproduzirem. Isso se chama terceirização. Depois acham que tem moral para falar da terceirização feita pelo governo: um sujo falando do mal lavado! Se da parte do sindicato só recebemos o silêncio, pior ainda quando esperamos alguma coisa parecida do Departamento de Comunicação Oficial do governo, o Decom. É pura perca de tempo, porque não passam de papagaio de pirata. Todo mundo sabe disso.

4- Mas a omissão e o silêncio da parte da “Assessoria de Imprensa” do SINTERO é de lascar! É muito mais danosa que a desinformação dos órgãos estatais. A sua patota dirigente paga caro pela manutenção de um site e mais caro ainda pelo serviço do jornalista pequeno burguês que mais parece colunista social que um jornalista. Divulga mais e melhor no facebook fotos pessoais que informações oficiais no site do SINTERO. Mas, a culpa não é dele! É de quem paga o saboroso salário dele que finge muito bem, dissimula que se interessa em manter a categoria bem informada e atualizada diariamente. Vito Giannotti, um dos maiores especialistas em imprensa sindical no Brasil, numa palestra feita no auditório do SINTERO na primeira gestão da ex-papisa Claudir Matta, alertou [tradução minha] para o fato perigoso de uma direção sindical agir desse jeito. Pior: ostentar uma estrutura física gigantesca, ter obesas sedes sociais com piscinas, campo de futebol, área de churrasco, gastar uma fortuna maior ainda com uma também não bem informada construção da nova sede central para satisfazer o narcisismo dos seus presidentes e investir uma ninharia na comunicação com os seus filiados. Isto é safadeza e das grandes! É agir da mesma forma como a imprensa privada e estatal agem; é promover a surdez e a idiotices naqueles que sustentam toda essa sacanagem disfarçada de jornalismo sério.

5- Por isso, o jornalismo da Patota do “SINTERO somos sempre nós” sempre foi chapa branca, açucarado e inofensivo. Só é “crítico” de vez em quando, quando lhes dá na telha! Quando querem, por exemplo, desqualificar seus críticos e as posições do Governo em tempo de greve. No que diz respeito a uma discussão importante como é das alterações da Lei 420 ou possível substituição por outra lei, os “paladinos” dos fiéis sinteristas juramentados, simplesmente, não dizem nada, não informam o conteúdo das discussões que ocorrem lá dentro da equipe que fazem parte, não explica os pontos de difícil compreensão, o que o governo defende e o que eles defendem lá dentro e também nem acolhem as propostas dos maiores interessados: a categoria. Nada, absolutamente nada do que aí se sucede a categoria, com exceção dos privilegiados de sempre, sabem. A dupla sertaneja de cardeais da patota dirigente designada pelo papa Manoelzinho, simplesmente não nos dizem nada, não nos dão satisfações diária dos seus atos, não publicam relatórios do que dizem ou fazem lá dentro no site oficial do sindicato. O silêncio tem sido a política adotada, um silêncio nada inocente.

6- Os critérios de noticiabilidade do Site e Informes do SINTERO só possuem uma vertente, quando o ideal seria ter, no mínimo duas: a do suposto jornalista e dos diretores sindicais. E no jornalismo sindical isso deve ser equilibrado. Segundo Danillo Assunção (2009): Enquanto os jornalistas percebem que o trabalho de coleta e tratamento da informação está baseado em determinadas noções e métodos que são inerentes à atividade jornalística, como a preocupação com a atualidade, importância social do fato, objetividade, seriedade e honestidade nos procedimentos, os diretores sindicais estão preocupados com a lógica instrumental da informação, com a sua funcionalidade, com o seu objetivo de convencimento e mobilização dos representados. Além de não existir dentro do SINTERO esse equilíbrio, as fontes são restritas, pois, “os jornalistas sindicais utilizam, basicamente, fontes internas. Os diretores sindicais são as principais fontes e isso faz com que os jornalistas não tenham muito esforço para obter boa parte das informações de que precisam” (Assunção: 2009). Além disso, o “jornalista” pequeno burguês do SINTERO aparenta gostar de não ter sequer esse esforço, pois, só reproduz o que a direção manda e também, parece ter abdicado deliberadamente do pensamento autônomo de que o bom jornalista deve ter. Como a direção só gosta do oba-oba das manifestações performáticas que fazem em período de greve: só conseguem promover, mesmo em seus informes e no seu site, o silêncio. Determinadas temáticas em tempo “de paz” de importância suprema para os trabalhadores da educação como é o caso da reformulação da Lei 420 nada nós é bem informado diariamente. Isso não é prioridade para esse pessoal. Basta darmos uma espiadela no site oficial dessa entidade sindical.

7- Apesar dos jornais sindicais serem um meio de comunicação que atua no palco, possibilitando a externalização oficial da posição do sindicato, nem isso nos é informado plenamente e diariamente com exaustão pelo “jornalismo” do SINTERO. Essa e outras informações ficam no bastidor. Por isso, a categoria tem tudo para se lascar após a aprovação dessa legislação, pois terá que obedecer algo que desconhece, inclusive que lhes prejudica, aumenta seu labor, sua dor e pouco gratifica. Pior: algo que coopera para que se tornem cada vez mais ovelhas nesse redil chamado sindicato, SINTERO. Uma vez que não fomos bem informados durante o processo de discussão da referida Lei, depois dela ser aprovada, nada mais adiantará. A categoria continuará dependente da interpretação dos Nereus e Hélios do SINTERO. Qualquer dúvida, eles serão os únicos capazes de fornecê-las como quiserem. Isso, com certeza, só lhes trazem benefícios políticos. Pois, são os únicos portadores da informação correta. Sendo assim, a categoria não só será prejudicada pelo Governo, mas pelo próprio sindicato que sustenta. O silêncio do SINTERO, neste e noutros casos, jamais será inocente.

Referência:

Danillo Assunção. Observatório da Imprensa em 27/01/2009 na edição 522.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/o_palco_e_os_bastidores_do_jornalismo

©DesProf.Peixoto

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Suênia e Eu

Minha conterrânea: eu sou pernambucano do “Ré”cife e ela é da Paraíba. Ela aprecia Campina Grande, eu Caruaru: cidades aguerridas. Ela sabe dançar um forró que nunca aprendi na vida. Mas sou confortado com o belo fato do meu São João sempre ser maior que o da sua vila! As mesmas canas moídas nos engenhos e rapaduras nordestinas nossa sina nos deu: de poder fazer cada um a sua história com essas coisas divinas que o nordeste nos deu.

Trilhei caminho da História e ela o da língua portuguesa. Eu divago: o e no tempo sempre penso. Ela simplesmente vive intensamente sua breve conjugação no tempo presente. Lemos o mundo assim como o vemos, desse jeito, sem aperreio de perdermos nossos “Oxentes”, “Visses” e todos demais traquejo musical do nosso comum dialeto.

Ela gosta de fulia e eu de harmonia sem nos perdermos, contanto, nas estripulias na vida dura que levamos a cada dia. Ela prefere mais a fumaça e eu o vento e os cheiros das neblinas matutinas. Ela é pau prá toda obra na escola: já eu sou dispersivo apenas em minha própria disciplina.

Suênia e Eu; eu e Suênia: nordestinos de coração e de cabeça, com histórias de vida parecidas diferentemente sendo tecida numa terra tão distante e diferente daquela que cada um de nós nasceu. Mesmo longe hoje dela, guardaremos sempre o que há de melhor se continuarmos sendo o que sempre fomos à vida inteira, toda até agora: nós mesmos: Suênia e Eu: nordestinos e amigos até então.

©Desprof.Peixoto

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“Para nossa alegria?” Diretores e Coordenadores Regionais de Ensino de Rondônia ganham 100% de aumento em suas gratificações.

PARA NOSSA ALEGRIA1. O Governador do Estado de Rondônia, Confúcio Aires Moura com a Lei Complementar de número 662 de 24 de Abril de 2012, sancionou decreto da Assembléia Legislativa que altera a redação de dispositivo da Lei Complementar nº499 de 10 de março de 2009, vigente durante o Governo Ivo Cassol (2003 a 2009) [1]. Lei que reajusta as gratificações concedidas aos Servidores da Educação pela SEGUNDA VEZ, durante o seu mandato. Os maiores beneficiados ou privilegiados nessa história, de forma especial, pontual e específica foram os integrantes do menor seguimento dos Trabalhadores em Educação do Estado de Rondônia: os professores que se encontra ministrando aulas, isto é, que estão lotados em sala de aula. Mas este governo também concedeu um reajuste na gratificação dos técnicos chamada de Incentivo a Educação, na gratificação dos supervisores e dos orientadores chamada de gratificação deEfetivo Trabalho, porém menor, bem menor, que a gratificação dada aos professores que “estão em sala de aula”. Para a alegria dessa atual minoria privilegiada, apesar de ser apenas uma gratificação, não um aumento efetivo de salário. Apesar também de, no frigir dos ovos, não ser aquela gratificação! Continua sendo uma esmola! Não obstante, causam mais malefícios que benefícios para as frágeis relações sociais no interior dessa categoria que não consegue construir uma unidade, nem uma “consciência de classe”:vital para sua lutas por melhorias na sua qualidade de vida, de trabalho e demais ações na sociedade.

2. Para um bom observador, fica claro que essa questionável política salarial do Estado apenas suaviza um pouco a situação caótica em que vive os Trabalhadores em Educação em geral, mas que não resolve o problema dos baixos salários que caracterizam esse segmento social ao longo da história recente da educação que é feita em Rondônia. Fica claro também, que esta mania infeliz de reajustar apenas uma ou outra gratificação que é dada ou inventada de última hora não acompanha o salário dos servidores quando este se aposenta. Além do mais, ao contrário dos salários, esta política de reajustes reais apenas das gratificações não é linear. Tal fato cria um enorme problema político para tão desunida categoria: ao invés de unir os trabalhadores, dividi-os mais ainda! Pois, a divisão do trabalho existente no interior das Escolas Públicas e do próprio Sistema Público de Ensino, contínua intacta, reforçada e tida como “natural por muitos. Este é o principal efeito absurdo dessa política de reajustes não linear das gratificações que se pratica no Estado. Política que deveria ser combatida, diluída e pulverizada pelo sindicato e não aceita da forma como a categoria foi “convencida” a aceitar. Os “convencidos” não se deram conta como ainda parece não ter compreendido que aceitar tal postura governamental é dá um tiro no próprio pé. Tal falta de isonomia no reajuste das gratificações enfraquece o próprio sindicato, impede a construção de uma consciência de classe entre todos os profissionais operários da educação e, por ironia, trabalha contra os nobres ideais do Governador Confúcio Moura em relação ao tipo de educação que seu governo quer ver acontecer. Dentro das Escolas ela também corrobora negativamente para que não haja alegria e entusiasmo tão necessários, tão importantes nos corações da maioria das pessoas que fazem parte dessa categoria, entre elas cito: técnicos, zeladores, merendeiras, inspetores e etc. Trabalhos sem o qual não existiriam condições para que todos os demais possam acontecer. Os professores que estão, especificamente, em sala de aula não são nada sem os demais. Já imaginaram ter que estudar numa escola sempre suja? Sem merenda? Sem vigilância? E sem o apoio técnico para os professores e, especialmente, para os alunos em tempo de escola de “Tempo Integral”?

3. Para efeito de memória, é prudente lembrarmos que esse tipo específico de professor, essa subcategoria foi inventada a partir da invenção de tais “gratificações” específicas em 12 de março de 2010. Melhor dizendo: Tal política de “valorização” dos professores que estão em sala de aula foi uma “sábia” idéia da Secretária de Educação da época. Nessa ocasião foram concedidas também, de forma similar ao presente tempo aumento salarial LINEAR, porém apenas um acréscimo de 4,5% a todos os servidores públicos estaduais do poder executivo, autarquias e fundações públicas estaduais [2]. Não obstante, essa “nobre idéia” tinha a intenção clara de esvaziar, minar qualquer vontade por parte dos professores de fazer ou de permanecer na greve que acontecia no momento em que foi bolada e no futuro. A greve era o seu texto, contexto e o pretexto, pois, historicamente e infelizmente, são esses, os professores de sala de aula, os que primeiro, os que geralmente pensam, desejam e fazem a cabeça dos demais para participarem de qualquer movimento paredista. Como, por ironia, também são os primeiros também a canalizarem todo esse esforço para com ela acabar quando lhes é conveniente, sem consideração alguma a vontade dos demais trabalhadores em educação: os que, na sua maioria, mais sustentam a luta até o fim. Curioso também, é que muitos desses fazem parte da patota que dirige o sindicato a mais de 20 anos.

4. O Governador Confúcio Moura, conforme podemos entender da fala do atual Secretário Estadual de Educação, Júlio Olivar [3], mantém a política do governo anterior de conceder a duras penas e depois de muita luta um baixo reajuste LINEAR dos salários e uma política de maior reajuste NÃO LINEAR das gratificações que concedem. E ao fazer isso, contribui para que os docentes que estão lotados em sala de aula- “os auleiros” [termo meu] se distanciem cada vez mais dos colegas e passem a se sentirem mais especiais que eles. Ao aplicar a mesma política numa escala bem maior dentro do sistema quando informa também um aumento de 100% na gratificação dos diretores e também para os representantes de Ensino tenta tornar natural uma divisão do trabalho que não deveria implicar em injustas formas de pagamentos, remuneração. Como se o valor do trabalho de todos fosse “naturalmente” diferenciados. Tal aumento nas gratificações de 100% que será dado aos diretores das Escolas Públicas e aos Coordenadores Regionais de Ensino só reforçará mais ainda a estratificação social já existente no interior do Sistema de Ensino Público como eu disse acima. Para alegria deles é claro, mas com exceções. Pois, não é possível afirmar que todos os que foram “democraticamente” eleitos ficarão plenamente satisfeitos, mansinhos e menos rebeldes como espera os comandantes do sistema após tamanha “dádiva” governamental. Pois, nem sempre o problema da educação pública é um problema apenas econômico.

5. A grande dúvida agora é saber se tais “dádivas” vão mesmo proporcionar o resultado que o Governo Confúcio Moura espera obter através dessa política salarial. Se os mega e ambiciosos projetos do nosso governador trarão os frutos políticos e sociais por ele tão almejados. E se esses frutos, de fato, corresponderão um pouquinho, os desejos da população que votou nele ao menos. É ver para crer! É provável que alimente apenas a fome dos mercenários dentro da educação que se vêem superiores aos demais trabalhadores, mas, quem sabe, contrariando toda a lógica sociológica que pode ser empregada para compreender essas ações e essas reações internas e externas desse governo, o Governador não acerte? Tomara que sim! Tomara que eu esteja enganado!

 

Referências:

 

[1] Diário Oficial- Estado de Rondônia do dia 24 de Abril de 2012. http://www.diof.ro.gov.br/doe/doe_24_04_2012.pdf

[2] http://www.oobservador.com/nacional/governador-ivo-cassol-assina-projeto-concedendo-ate-r-20000-de-gratificacao-mais-aumento-45-de-aumento-.html Consulta feita em 03/05/2012.

[3] Departamento de Comunicação Social- DECOM. http://www.decom.ro.gov.br/noticias.asp?id=5329&tipo=Mais%20Noticias Consulta feita em 03/05/2012.

 

Bom Voyage, Mon ami!

©DesProf.Peixoto

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Sintero: Eis a cara da “qualidade de ensino” que sua direção sempre defendeu.

O "rosto belo" da qualidade de ensino

ESSA TEM SIDO A "CARA" DA QUALIDADE DE ENSINO DEFENDIDA PELA PATOTA DO SINTERO SOMOS NÓS SEMRE.

1- “Salário justo”! “Valorização profissional!” “Melhoria da qualidade de ensino!” Eis as três bandeiras de todas as greves já feitas ao longo da história do SINTERO em todas as greves que eles promoveram e que vem promovendo até agora. Que bom que essas bandeiras representassem mesmo o desejo da categoria que vai a luta e fossem mesmo conquistadas. Fizessem história! Mas, não. A história que vivemos aponta para outra direção. No que diz respeito à pauta “qualidade de ensino” especificamente: ela ainda é estória para boi dormir. Serve apenas para fazer ninar e mascarar nossa única intenção egoísta e mesquinha: aumentar nossos parcos vencimentos e disfarçar os politiqueiros do grupo “SINTERO somos sempre nós” de guerreiros fortes e valentes da boa educação. “Qualidade de ensino” tem sido uma bela máscara, porém fraudulenta. Ornamento das greves e nada mais!

2- Isso mesmo: ornamento, enfeite, adorno, adereço de pauta, máscara, enfim, propaganda enganosa para que mesmo? Para atrair o apoio da população para uma causa que não é dela totalmente, mas dos grevistas, de boa parte dos trabalhadores em educação filiados ao SINTERO, que compactuam com a sua direção que aí sempre estiveram e que as seguem de olhos bem fechados como um bom rebanho que tem sido até o presente momento por isso, uma bandeira fictícia. Por isso, a não participação da maioria absoluta dos que fazem parte dessa categoria e o vexame e a incredulidade que causam nas pessoas que estudam nas Escolas Públicas. Greves com interesses mascarados não tem sido bom em longo prazo para ninguém.

3- Basta que façamos uma boa retrospectiva de todas as greves, usarmos um pouco nossa memória acerca delas e olharmos para o sistema de educação pública de Rondônia para vermos o tamanho da qualidade conseguida após cada greve ocorrida. O sistema não melhorou, não mudou e não pretende mudar com qualquer greve não. Continua sendo o mesmo de sempre, gerando coisas ruins para todo mundo. O presídio conhecido como “Urso Branco” aqui na capital vemos o tanto de ex-alunos que passaram pelo sistema educacional oferecido até agora. Nas atividades econômicas do Estado, podemos ver para quem tem servido a educação que se oferece aqui. Mesmo assim, mesmo quando, acidentalmente, faz algo de bom pelos alunos ainda há problemas na qualidade do que é feito haja vista que o Estado tem que importar trabalhadores mais qualificados de outros lugares para fazer os que os nativos não conseguem aprender bem nas nossas escolas. São poucos os que se beneficiam da educação que se faz aqui. Muito poucos! Entre esses, os políticos locais.

4- A “formação” de boa parte dos políticos que já comandaram esse Estado não veio das Escolas Públicas, mas de fora dela quer seja em Rondônia ou de outros lugares do Brasil. Há quem até governou o Estado sem ter tido nenhuma escolaridade completa e que batia no peito dizendo que ficou rico sem precisar estudar. O ensino público oferecido aqui apenas, no mínimo, no mínimo, ajudou e ainda ajuda os políticos profissionais convencionais e do sindicalismo local a manterem seus privilégios, ajudando a fornecer certificados de cursos nunca freqüentados, muitas vezes comprados, e a manterem distraídas e ocupadas as crianças e jovens que se servem da Escola Pública na idiotice de certos modismos pedagógicos importados da Bahia e de outros lugares e de outros tempos passados, quase o dia inteiro enquanto os pais trabalham para ganharem a vida. Escola Pública nesse confim de mundo tem servido assim, como armazéns, depósitos de crianças, abrigo para que possam permitir aos pais produzirem em paz, sem atropelos. E com a implantação, de goela abaixo, gradativa e sem amplo debate público prévio a respeito dessa temática; das assim chamadas escolas de tempo integral, aí é que se tornarão um grande cercadinho com merenda, distrações variadas e com oferta dum ensino de qualidade duvidosa, pois não houve nenhuma mudança radical de concepção do ensino oferecido até agora para que isso acontecesse: ele continua sendo aquele tradicional de sempre. Com a diferença de está mais robusto na quantidade e mais light na cobrança, pois é preciso dar um jeitinho para que os índices cresçam mesmo que de forma suspeita e artificial. Tudo sob o controle e a vigilância dos profissionais do ensino: os que fazem as ditas greves. A maioria desses trabalhadores em educação que se resumem a isso: a serem muito bem pagos para serem uma espécie de guardadores, domesticadores e doutrinadores de alunos enquanto os pais trabalham. Meros Pastores de Ovelhas!

5- Os poderosos de Rondônia, do SINTERO e do próprio sistema público de ensino não colocam seus próprios filhos na Escola Pública. Preferem colocar onde acreditam que saem “as melhores cabeças”: O sistema privado, em especial uma fortemente instalada aqui que, a propósito, não por coincidência, adora usar essa expressão como mote de suas propagandas comerciais em todas as mídias. As Escolas Públicas existem para fornecerem ensino pobre por professores pobres para que os alunos continuem sendo pobres e, no futuro, colocando seus filhos na mesma escola num maldito eterno retorno. Raras são as exceções. Poucos são os que escapam dessa maldição. Escolas Públicas existem para a reprodução da estrutura social existente. No Brasil, o pensamento do sociólogo Francês Pierre Bourdieu continua vivo e real ainda no que diz respeito ao ensino e a sua qualidade. Vejam bem, não estou dizendo que, no Brasil, as Escolas Públicas não oferecem um ensino sem qualidade. Não! Nada disso! O Ensino aqui tem qualidade sim! A questão é a qualidade que se cultiva nessas paragens amazônica, brasileira. A questão é conceitual. A qualidade oferecida é aquela que satisfaz apenas a fome de comida, fome de ovelhas. Não a fome que a burguesada é educada a ter e exigir quando estudam, por exemplo, no Colégio Dom Bosco ou no Objetivo. Pelo contrário, a qualidade de ensino fornecida pelas Escolas Públicas daqui é aquela digna de uma boa pastagem. É boa para isso: para PASTAR, para encher a pança e ocupar o tempo com distrações quase que circenses dos nossos pândegos docentes por uma ninharia. Esta sim tem sido o conceito de qualidade que se tem posto em prática.

6- A bandeira da melhoria do ensino tão bradada pelos sindicalistas em todas as greves é uma bandeira sem cor, sem desenho, sem nada. Máscara e coisa alguma! Porque não nos diz nada, nunca pretendeu dizer alguma coisa, apenas servir de ornamento e material de propaganda enganosa dos bestas que acreditam neles. É tão fraudulenta que, num documento produzido pelo departamento de comunicações do Estado, o DECON, o atual Secretário da Educação chegou a especular sobre isso; sobre as razões do porque nunca se fez greve para que o Estado construísse mais escolas; nunca se fez greve para diminuir o número de alunos por sala, acabando com a super lotação hoje existente. Nunca se fez greve para que no Plano de Carreiras fossem incluídos pontos que de fato, resolvessem problemas tais como: a da falta de uma política de lotação dos trabalhadores em educação próximo dos bairros onde residem; a falta de autonomia real para as escolas; o excesso de intromissão dos órgãos burocráticos da SEDUC sobre as mesmas; a imposição de currículo; a inclusão na grade de ensino de disciplinas exóticas e acima do nível dos alunos tal como a oferta da sociologia para alunos do Ensino Fundamental por professores não habilitados na área das Ciências Sociais; a imposição de um calendário escolar único: camisa-de-força para as escolas vestirem a todo custo. Nunca se fez greve para que as Representações ou Coordenadorias Regionais de Ensino e Gerências de Ensino se limitassem a apenas ajudar sem controlar a ferro e a fogo as escolas a cumprirem bem o seu papel. Nunca se fez greve para que o governo mudasse a forma de seleção dos novos professores via concurso e garantir que só os melhores fossem selecionados. Enfim, só se fez greve apenas para aumentar ou repor perdas salariais ou qualquer coisa apenas relacionada a isso. Por tudo isso, melhor dizendo, pela falta de tudo isso nessa dita bandeira do “Ensino de Qualidade” defendida pelo sindicato dos Trabalhadores da Educação que afirmamos ser uma ficção, uma fraude descarada para a sociedade.

7- Ora, como defender melhoria do ensino jogando a responsabilidade apenas para o Estado e seus agentes? Recusando-se a sermos protagonistas de fato desse processo? Fazendo greve todos os anos apenas por amor e devoção a Mamon? Por que não podemos mudar de atitude e transformarmos o que tem sido sempre uma máscara em nosso rosto de fato? Pretexto verdadeiro para fazermos greve por causas que sejam também à causa da população que ainda acreditam na Escola Pública? Por motivos justos mesmo? Porque querermos intensamente um ensino que tenha uma qualidade igual ou melhor que aquele que é oferecido pela iniciativa privada? Lutar por melhoria salarial é justo, muito justo mesmo! Mas não significa que com bons salários por si só, façamos um ensino melhor, até porque nunca ganharemos o suficiente para mudarmos nossa mentalidade de meros auleiros, não poderemos ler mais e com isso pensarmos mais, criticarmos mais e sermos mais do que temos sido: protagonistas dentro do sistema vigente. Até porque também, há entre nós, muita gente que não tem nenhum interesse nisso, em tirar a máscara, a começar pelos caras que sempre lideraram este sindicato. Basta prestarmos a atenção como os mesmos ensinam nos colégios onde trabalham. O que ensinam e como ensinam os companheiros de luta durante as greves que promovem. Conceito de qualidade de ensino que pode ser percebido nas procissões que fazem; nas rezas ao redor do Palácio do Governo; nas gritarias durante as assembléias; nas sacanagens que fazem com os adversários, com os que pensam diferentes e têm idéias diferentes da maioria das tietes sinteristas presentes em todas as greves ou evento pedagógico governamentais. Que deus nos ajude!

نراكمقريبا!

©DesProf.Peixoto.

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SINTERO: QUAL SERIA O ADVOGADO IDEAL?

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